By Kathy Hecht

Você gosta de fazer coisas? Talvez objetos de Lego ou casas em árvores na floresta ou vestidos para bonecas? Bem, quando eu era criança, eu gostava de fazer artesanato. Eu via alguma decoração ou bugiganga na montra de uma loja ou em casa de alguém e depois tentava copiar usando coisas que tinha em casa ou que encontrava na natureza. Muitas vezes, algumas pinhas, pedras pintadas ou até botões serviam para muitos projetos.

Eclesiastes 9:10 (ARA) diz que “tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças.”

Uma coisa que eu pensava poder copiar bem eram ornamentos para a árvore de Natal que eu tinha visto serem feitos com carros de linhas vazios. Isto não parece muito bonito, mas quando cobria a parte central do carrinho de linhas com pedaços de panos bonitos e colocava pequenas peças redondas de feltro nas extremidades, então ficava melhor. Você poderá até pintar os carrinhos de linhas com cores que combinem com o pano que escolher. Mas deve haver uma forma de pendurar na árvore de Natal, certo? Bem, se colocar alfinetes compridos através do feltro em cada extremidade do carrinho de linhas, poderá amarrar um laço. Para tornar mais interessante, eu coloco algumas missangas coloridas no alfinete no centro do carrinho de linhas. O ornamento acabado é muito bonito—pelo menos é o que as pessoas diziam.

Criando um Projeto de Investimento

Na igreja, as pessoas descreviam diversos projetos de investimento que os membros podiam realizar para juntarem dinheiro para as missões. Algumas pessoas vendiam plantas ou construíam gaiolas para pássaros. Outras vendiam bolos e pastéis e outras até vendiam perucas! Nós, as crianças, recolhíamos cupões de alimentos e entregávamos durante todo o ano. Mas todos faziam isto e eu queria fazer algo diferente.

A minha família não tinha muito dinheiro, mas eu também queria contribuir para a campanha de investimento. Nós não podíamos comprar alguns dos materiais necessários para muitos dos projetos, mas eu consegui encontrar os materiais que precisava para os ornamentos de natal em nossa casa ou pedindo à minha avó se podia ver o que ela tinha em sua coleção de artigos de artesanato e costura. A minha avó gostava muito de costurar e tinha sempre pedaços de fita, tecido, botões e missangas nas suas gavetas para eu usar.

Juntei os meus materiais e fiz algumas amostras que podia apresentar na exposição da igreja. A exposição foi realizada em uma linda tarde de outono, no ginásio que ligava a igreja à nossa escola primária. Haviam muitas mesas com coisas interessantes e bonitas para vender naquele dia. As pessoas da comunidade também vieram. Foi muito divertido para todos nós partilharmos o mesmo propósito de angariar fundos para o Senhor. Eu podia sentir a energia no salão. Não havia competição, apenas apoio por uma causa comum. O meu expositor era relativamente simples comparado com os outros, especialmente os que tinham sido organizados por adultos. Mas as pessoas passavam e elogiavam o meu trabalho, fazendo encomendas dos diversos conjuntos de cores que gostariam para os seus ornamentos. Os adultos queriam encorajar os mais jovens nos seus projetos de investimento e compraram muitas coisas das crianças. Eu não tinha um grande número de encomendas, mas ainda assim era uma quantidade respeitável e senti realmente que estava a fazer algo por Jesus. Uma vez que a nossa exposição foi no outono, pensei que tinha bastante tempo para fazer os ornamentos de Natal encomendados depois da escola e durante os fins-de-semana.  Queria ter a certeza de entregar os ornamentos aos meus clientes antes das férias do Natal, para que estes pudessem decorar as suas árvores em casa.

Desafio Inesperado

Depois aconteceu. A primeira epístola de Pedro 5:8 (ARA) afirma, “O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar.” Infelizmente, ele focou a sua atenção em mim. Eu sabia que um leão não me comeria, mas prestei atenção na Escola Sabatina e entendi que o diabo era muito astuto e tinha muitas maneiras de tentar atrapalhar o plano de Deus para cada um de nós.

Certa manhã, antes de começar a escola, estava a correr com outras crianças no ginásio, como tinha feito muitas vezes antes, mas desta vez algo correu mal. Eu era normalmente a mais rápida nas corridas da escola e ganhei mesmo um prêmio de segundo lugar em um evento de Desbravadores em Ohio um dos anos. Correr lá fora era uma coisa, mas correr dentro de um lugar fechado é outra. Lá fora era só passar a meta final e continuar até abrandar a corrida a meu próprio ritmo. Dentro do ginásio havia uma parede feita com blocos de cimento para parar os corredores do outro lado. Eu tinha corrido muitas vezes no ginásio da escola e tinha desenvolvido uma técnica de ir com toda a velocidade até à linha da meta pintada no chão e depois parava antes da parede ao deslizar nos meus tênis. Bem, desta vez os meus tênis não deslizaram e eu bati com toda a força com a cabeça na parede de blocos de cimento. Só me lembro de estar deitada em uma maca fora da escola e ser colocada em uma ambulância. No hospital fizeram um exame ao cérebro ao colocarem elétrodos em minha cabeça.  Fiquei no hospital uma semana enquanto faziam mais exames. A minha cabeça doía muito. Não precisei de levar pontos, mas tinha concussão.

Depois de regressar a casa, senti-me muito fraca durante algum tempo. Tinha trabalho da escola para fazer e os ornamentos de Natal foram colocados de parte. Mas eu não queria desapontar as pessoas, porque Colossenses 3:23 (ARA) nos diz, “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens.” Embora eu estivesse a fazer os ornamentos de Natal para vender às pessoas, o meu trabalho era para o Senhor.

A minha mãe e outros membros da família ajudaram com os ornamentos, para poder fazer tudo o que tinha sido encomendado. Descobri que os clientes da minha família da igreja foram muito compreensivos, estando dispostos a esperar o tempo que fosse necessário pelos ornamentos que tinham comprado. Até houveram mais encomendas a chegar. Compreendi que estes eram tão parte do meu projeto como todos os materiais que eu usava. Juntos abençoámo-nos uns aos outros e louvámos o Senhor. “Uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta” (Heb. 12:1, NVI).

A corrida que ganhei no ginásio da escola naquele dia de outono não foi nada comparado com as corridas futuras que correria e venceria com Deus e com o apoio da minha família Cristã. Não o tipo de corridas realizadas em pistas, mas o tipo onde a pessoas que nos amam oram por nós na margem e Jesus está no fim de cada volta oferecendo água fresca ou um pano macio para limpar o suor do nosso rosto. E no fim, Ele é o melhor prêmio depois da meta.

Kathy Hecht

Kathy Hecht é gerente dos serviços de Circulação e Empréstimos Interbibliotecários da Biblioteca Weis Library, Universidade Adventista de Washington, Takoma Park, MD.