Mordomia de Mudança de Vida

A Equação da Doação

 

Vamos Acertar a Equação

Para muitos, a palavra mordomia desencadeia uma reação defensiva imediata e uma mente fechada. Dar a Deus é uma ameaça à nossa independência e ao nosso nível de vida. Reduz as nossas opções de vida. Quanto mais doamos, menos temos para viver—para pagar nossa hipoteca; para educar nossos filhos; para comprar nossos mantimentos, roupas e aparelhos eletrônicos; para viajar; e para nos entreter.

Nossa mentalidade consumista é reforçada pelas mensagens que recebemos na mídia. Nossa sociedade iguala a felicidade pessoal com a compra de bens materiais. Temos um estilo de vida "trabalhe-gaste-trabalhe um pouco mais" alimentado pelo desejo de obter coisas que atualmente não temos, assim (dizem-nos), alcançando maior realização, satisfação e significado aos nossos próprios olhos e aos dos outros. Quando nossa mentalidade consumista se torna a lente através da qual vemos o mundo, ela fornece a estrutura dos valores que usamos para a tomada de decisões e a resolução de problemas.

No entanto, uma verdadeira compreensão da mordomia é essencial para que possamos crescer como cristãos. É um princípio fundamental e indispensável da Vida Cristã. Trata-se de construir o caráter cristão e construir nossa fé e dependência de Deus. Deus quer que doemos para nosso benefício. Não é: "o que Deus ganha com isso?” Não é: "o que minha igreja ganha?” É "o que ganho com isso?” Dar foi projetado por Deus para nos ajudar a construir um caráter benevolente e generoso, um caráter igual ao de Deus.

Para aqueles que instintivamente se sentem assustados ou defensivos sobre a mordomia, a Equação de Doação apresenta uma fórmula matemática simples para responder à pergunta: "se eu doar minha renda suada, que benefício eu recebo?” Essa fórmula fornece compreensão sobre por que as pessoas estão relutantes em doar e insights sobre o verdadeiro significado da mordomia; informações que podem mudar a vida do doador e seus comportamentos de doação.

Transformem-se!

Quando Paulo advertiu os cristãos a não se conformarem com o "padrão” consumista “deste mundo", ele deu uma resposta para o problema da mentalidade. " Transformem-se", disse ele," pela renovação da sua mente " (Rm 12: 2, NVI). De acordo com Paulo, a única maneira de contrariar nossa mentalidade consumista é obter novas mentes, aprender uma nova maneira de pensar.

A extensão da mudança necessária está encapsulada na palavra transformado(a), derivada da antiga palavra grega metamorphoo. É definida como "uma mudança na forma, aparência, natureza ou caráter" [1]ou "uma mudança acentuada, como na aparência ou caráter”[2]. A palavra é usada para descrever as mudanças dramáticas na forma de uma lagarta para uma borboleta, ou de um girino para um sapo. Esses exemplos demonstram até que ponto nossas mentes precisam ser transformadas. É uma mudança radical no pensamento, na qual descartamos nossa mentalidade consumista padrão e a substituímos pela maneira de pensar de Deus. Significa abandonar nossos valores materialistas e substituí-los por valores inspirados por Deus de benevolência, abundância e generosidade.

Note duas coisas sobre a maneira como Paulo disse: "seja transformado” (tradução literal da New International Version, onde lemos be transformed). Primeiro, ele usou a voz passiva. Deixe-se transformar. É difícil perceber, e ainda mais difícil aceitar, que a transformação é algo que Deus faz por nós. Não é algo que possamos fazer a nós mesmos, pois temos que "deixar Deus re-modelar [nossas] mentes de dentro" (Rm 12: 2, Phillips).

Segundo, Paulo usou a voz imperativa. Ele não disse: "considere ser transformado”. A transformação não é uma opção, mas um comando. Ele foi enfático, conciso e direto ao ponto. Você deve ser transformado. Se você quer ser um discípulo de Deus, então a transformação é obrigatória. Deixe Deus fazer a transformação. Muito, muito simples, mas em nosso mundo do faça-você-mesmo, muito, muito difícil.

A Equação Básica

Todo mundo nasce com duas coisas—uma medida de tempo e uma medida de talento. Esses dois elementos da vida são inseparáveis. Não há valor em ter tempo, mas não ter talento, ou em ter um talento imenso, mas não ter tempo para capitalizar. Como Mel Rees disse, "com tempo e talento, todas as atividades da vida são possíveis. Na verdade, são essenciais para a vida, pois a vida é tempo e talento[3]. Nossa vida é o resultado de como combinamos nosso tempo e talentos. O dinheiro que ganhamos também é o resultado de como aplicamos nosso tempo e talentos. Quando reduzimos esses dois conceitos simples a uma equação, obtemos:

Então, de uma perspectiva matemática, se a vida compreende tempo e talentos, e o dinheiro também, então dinheiro = vida.

Duas Economias

Em Mateus 6:19-21, Jesus identificou duas maneiras de pensar—duas perspectivas sobre a gestão de tesouros—sobre dinheiro e doação. O que Jesus estava dizendo era que onde você investe seu dinheiro, onde você coloca seu tesouro, é um forte indicador de onde suas prioridades estão, o que você valoriza na vida, e quanto você confia em Deus para seu futuro.

Na Equação de Doação, eu chamei a forma de "tesouro na terra" de pensar a "Me-economy", por causa de seu foco principal em satisfazer minhas necessidades. A maneira alternativa de pensar, olhando para a vida a partir da perspectiva de Deus, é chamada de "G-economy” (em inglês, Deus é God). O desafio é que não podemos viver em duas economias. Os princípios da Me-economy e da G-economyopõem-se um ao outro. Seguir um conjunto de princípios exclui automaticamente seguir o outro. Se você vive na Me-economy, você vai odiar a G-economy (Mt 6:24-26). Então, temos que fazer uma escolha intencional para viver na G-economy, já que "tesouros na terra" é nosso cenário padrão ("não continuem acumulando para vocês mesmos tesouros terrenos" [Mt 6:19, primeira parte, The Passion Translation]).

Doar na Me-economy

Então, vamos explorar como a doação parece na Me-economy. A maioria das pessoas recebe o pagamento a cada duas semanas ou mensalmente, ou recebe uma renda passiva, como juros ou dividendos. No final de cada período de pagamento, a renda é dividida. Sua renda é figurativamente separada em parcelas de dinheiro para despesas futuras, como aluguel ou alimentação, ou para despesas já incorridas, como cartões de crédito ou empréstimos para habitação. A realidade é que sua renda, que é a função de seu tempo e talento, fornece o dinheiro para financiar sua vida e seu estilo de vida. Muito pouco poderia acontecer em sua vida sem o dinheiro fornecido por sua renda. É por isso que, na Equação de Doação, dinheiro = vida. Resulta também que mais dinheiro = mais vida, e menos dinheiro = menos vida.

Suponhamos que você é um cristão da Me-economy que se sente obrigado a devolver o dízimo ou doar uma oferta a Deus. Vamos caracterizar sua doação como $G. A Equação de Doação parece com isto: dinheiro – $G. Quando você doa dinheiro para Deus, você está, na realidade, oferecendo uma parte de sua vida—tanto uma parte da vida que você gastou para produzir o dinheiro quanto a vida na qual você poderia gastá-lo. Então, a Equação de Doação na Me-economy se parece com isto:

Imagine que você tenha $ 5.000 no banco e esteja devolvendo um dízimo de $400 e uma oferta de $ 100. No pensamento da Me-economy, doar os $500 significa que você não só tem $ 500 a menos em dinheiro,mas também tem $ 500 a menos em vida. Uma das razões pelas quais relutamos em dar a Deus é que dar parece ser uma dedução de minha vida futura. Se eu der, vou ter que desistir de algo—talvez um feriado ou um vestido novo ou o último iPad.

Quanto mais dinheiro eu dou, menos vida terei. Essa é a essência do pensamento Me-economy. É por isso que Jesus disse em Lucas 6:38: "Doar a tua vida" (A Mensagem), porque é assim que a maioria das pessoas se sente quando doa. O rico fazendeiro de que Jesus falou em Lucas 12:13-21 poderia muito bem ter sido o campeão da Me-economy, pois ele estava armazenando tesouros na terra e não era "rico para com Deus" (Lucas 12:21, NVI).

Dependência Versus Independência

A maioria de nós passa a semana de trabalho utilizando nosso tempo e talentos para acumular dinheiro para viver. Estamos nos esforçanco para ter independência, para nos libertarmos do controle e da influência dos outros. Queremos controlar nosso próprio destino. Acreditamos que a derradeira liberdade vem de nossa independência. A mensagem de independência é aquela que recebemos durante toda a vida.

Em contraste, Deus oferece a liberdade de dependência como uma alternativa à liberdade de independência de que a Me-economy diz que precisamos. A Bíblia nos diz que se colocarmos Deus e Seu reino em primeiro lugar em nossas vidas, todas as necessidades da vida—comida, abrigo e roupas—serão fornecidas (veja Mateus 6:33). Doar é um ato de confiança. Não é preciso muita fé para doar a Deus o dinheiro que resta depois de termos pago todo o resto, mas é preciso fé para doar dinheiro de cima.

A liberdade de dependência é o plano de Deus. Quando reconhecemos Deus como o dono de tudo e nosso papel como administradores, somos livres para depender Dele. Ele prometeu suprir todas as nossas necessidades (veja Fp 4:19). Se Deus é nosso parceiro, em todos os momentos e em todas as circunstâncias, estaremos livres de nos preocupar com as incertezas da vida. "Por isso vos digo: Não vos preocupeis com a vossa vida, com o que comereis ou bebereis, ou com o vosso corpo, com o que vestireis. . . . Quem de vocês, preocupando - se, pode acrescentar uma hora à sua vida?” (Mt 6:25, 27).

Doando na G-economy

No pensamento Me-economy, é importante que você obtenha mais valor, utilidade ou satisfação do que o custo da compra. Doar é uma transação pobre em termos de Me-economy: quanto mais você doa, menos dinheiro você tem para sustentar seu estilo de vida. A estratégia em Me-economy pensar é minimizar suas doações e manter o máximo possível de seu dinheiro. Afinal, você não pode se dar ao luxo de doar sua vida. Você não pode perder sua independência.

A mentalidade da G-economy é totalmente oposta. Primeiro, a motivação é diferente. Ao contrário da filosofia de conseguir e manter da Me-economy, o lema da G-economy é doar. "Doe sua vida;" Jesus instruiu em Lucas 6:38 (A Mensagem), "você vai encontrar a vida devolvida, mas não apenas devolvida com bônus e bênção. Doar, não receber, é o caminho. A generosidade gera generosidade”. Afilosofia subjacente da G-economy é dar—doação generosa, sem restrições e abundante.

 As palavras de Jesus indicam um paradoxo da G-economy. Na Me-economy, você doa, mas você perde. Você fica com menos dinheiro (dinheiro – $G). Se dou 10% de minha renda a Deus como dízimo, logicamente tenho que estar pior, não é? Enquanto Jesus disse que quando você doa, você está realmente dando sua vida, o paradoxo é que há um retorno muito maior em seu dom do que você poderia imaginar. Quando doa na Me-economy, você perde parte de sua vida. Quando doa na G-economy, você não perde porque recupera a vida. E é devolvida com "bônus e bênção”. Assim, quando doa na G-economy, você perde parte de sua vida, mas recebe de volta uma vida abundante em troca (veja João 10:10).

A doação em ambas as economias também é diferente. Na Me-economy, a doação é puramente transacional—a simples transferência de dinheiro—enquanto na G-economy a doação é revestida de disposição, alegria e generosidade. É por isso que dar na Equação de Doação da G-economy é denotada como $G+. Então, é assim que a Equação de Doação parece na G-economy:

Você dá de seus recursos dados por Deus, mas Deus dá de Seus recursos ilimitados (veja Filipenses 4:19). A Nova Versão Internacional diz assim: "Dêem, e lhes será dado: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois a medida que usarem, também será usada para medir vocês"(Lc 6:38).

Qual é o propósito da abundância de Deus?

Para compreender como pode ser uma vida abundante, é necessário entender nosso Deus abundante e por que Ele quer derramar bênçãos em nossas vidas. A palavra "abundância" vem da palavra latina abundare, que significa transbordar.[4] João diz: "E todos nós recebemos também da sua plenitude, com graça sobre graça" (João 1:16, NLT). Tudo o que Ele é, tudo o que Ele faz, tudo o que Ele dá é influenciado por Seu generoso coração—um coração que transborda de amor.

Paulo ilustrou a superabundância de Deus quando disse:"E Deus é poderoso para fazer que lhes seja acrescentada toda a graça, para que em todas as coisas, em todo o tempo, tendo tudo o que é necessário, vocês transbordem em toda boa obra" (2Co 9:8, NVI; ênfase adicionada). "Toda”, “todas”, “todo”, “tudo”, “toda". As pessoas que são "ricas para com Deus" são generosas com os necessitados (Lc 12:21; Mt 25: 34-36), e intencionalmente armazenam tesouros no Céu.

Guardar um tesouro no Céu significa buscar o reino de Deus acima de tudo, viver generosamente e estar confiante de que Deus nos dará tudo de que precisamos (veja Mateus 6:33). Significa buscar a orientação de Deus através da oração sobre como vivemos e doamos; para alinhar nossas prioridades com as prioridades de Deus. Se Deus é o Senhor de nossas finanças, então Deus nos guiará em como alocar nossas finanças, incluindo gastar agora e economizar para o futuro.

A Aplicação Da Equação de Doação

A Bíblia está cheia de histórias sobre dar. Cada um dos estudos de caso bíblicos analisados no Capítulo 6 suporta a Equação de Doação. Eles demonstram inequivocamente a diferença entre doar na Me-economy e doar na G-economy. A Me- economy doa—o jovem governante rico e Zaqueu antes de sua conversão—mostraram um desejo compulsivo de acumular mais e mais posses materiais em sua busca pela independência. Por outro lado, o G-economy doa—a Viúva, Zaqueu depois de sua conversão, os macedônios e Maria—todos deram generosamente, refletindo o caráter de Deus. Eles reconheceram que doar a Deus deve ser a maior prioridade, uma prioridade motivada pela graça que Deus dá tão livremente. Ao salvá-los, Deus já havia aberto as comportas do Ccéu. Ele era um Deus que eles podiam adorar e um Deus em que eles podiam confiar e depender. Assim, sem dúvida, eles deram tudo quanto tinham em seus corações.

Em conclusão, Paulo resumiu o pensamento da G-economy desta forma: "Observe como Cristo nos amou. Seu amor não era cauteloso, mas extravagante. Ele não amava para obter algo de nós, mas para doar tudo de si mesmo. Amor [e doar] assim"(Efésios 5:1, A Mensagem, adaptada).

 

[1] "Transformação," Dictionary.com, <http://dictionary.reference.com/browse/transformation>.

[2] "Transformation," the Free Dictionary, <http://www.thefreedictionary.com/transformation>.

[3] M. Rees (1974), I Work for God, Litho, Estados Unidos.

[4] "Abundance," Online Etymology Dictionary, <https://www.etymonline.com/word/abundance>.

 

Ken Long

Ken Long, PhD, é um consultor de negócios que vive em Sydney, Austrália. Ele é o autor do livro The Giving Equation, de junho de 2020.