ABRINDO UMA EMPRESA CRISTÃ COMPROMETIDA COM O REINO

Entrevista com Ken Long

“O negócio como missão é aquele que é visto como um veículo a ser usado por Deus no mercado” (Alex Cook).[1]

O conceito de ter um negócio com propósito celestial é, para muitos cristãos, uma combinação incomum. No entanto, Ken Long, PhD, em seu último livro, The Model Steward Canvas,[*] capacita os leitores por meio de um conceito inovador. Seu objetivo é inspirar empreendedores a iniciar negócios tendo o Reino como propósito. Já antecipando o prazer que traz a leitura do livro do Dr. Long, compartilhamos com vocês a entrevista abaixo.

Mordomo Dinâmico: O título do livro traz uma combinação incomum, embora instigante, das palavras “empresa” e “comprometida com o do reino”. Qual é o conceito por trás da filosofia do título do livro, bem como o da expressão “empresa como missão”?

Ken Long: Em 2019, participei da realização de um workshop de dois dias para empresários em Papua Nova Guiné sobre o tema “Mordomia, Discipulado e Princípios Empresariais”. Os participantes ficaram bastante surpresos com a combinação de negócios e igreja por acreditarem que as duas coisas deveriam estar separadas ou que a administração da igreja menosprezasse os empresários. Tentamos fazê-los ver que Deus quer que os empresários trabalhem junto com a igreja, pois todos somos mordomos. Deus nos criou com o propósito expresso de sermos Seus mordomos, conforme mencionado em Gênesis 1:26. Devemos ser mordomos fiéis de tudo o que Deus nos deu e usar as bênçãos de Deus à maneira de Deus, para a glória de Deus.

O conceito de “empresa como missão” significa que tal empresa é administrada de acordo com os princípios e valores bíblicos e por um empreendedor cristão que visa obter lucros para a glória a Deus e gerar impacto para o Reino. Além disso, a empresa tem clara intenção quanto ao propósito do reino e o impacto exercido sobre seus funcionários, clientes, fornecedores e comunidade. O foco do negócio está nos 4 Ps do resultado quádruplo - Pessoas, Planeta, Proventos e Propósito de Deus. Além disso, para inserir no negócio a ideia de missão, uma parte significativa dos lucros é investida no reino de Deus e em projetos de caridade.

MD: Que tipo de mentalidade um empreendedor deve adotar ao abrir um negócio?

KL: Deus nos tem dado tudo o que precisamos, e devemos usar essas bênçãos para Sua glória. Como Abraão, somos “abençoados para ser uma bênção”. Quando temos essa mentalidade, abraçamos a ideia de iniciar um negócio com um propósito do reino ou, como mencionado anteriormente, uma “empresa como missão”. O empreendedor deve ter a intenção de abrir e administrar um negócio que seja baseado em valores cristãos. No livro, relato a incrível história de minha amiga Lorraine e seu falecido marido, Norm, que dedicaram seus negócios a Deus. Eles não podiam pedir dinheiro emprestado porque Norm estava falido, mas com sua fé, um milagre teve início. As vendas começaram a aumentar e, com o tempo, o negócio tornou-se lucrativo, pois “Deus nunca deixou de administrar aquele negócio”.

Acredito que, ao se aceitar Deus como sócio, nenhum limite poderá ser colocado quanto ao que pode ser alcançado. Ao fazer sociedade com Deus, você passa a ter um sócio mais chegado e mais ativo do que qualquer ser humano, sendo que Ele pode causar um grande impacto em seus negócios. Deus nos dá dons, talentos e bênçãos para que possamos trazer glória ao Seu nome.

Dez anos depois, após o trágico acidente de carro, Lorraine se viu em um dilema. Ela não sabia administrar o negócio sozinha. Ela fez um acordo particular com Deus: se Deus decidisse ajudá-la, ela estaria disposta a doar todos os lucros para sustentar o reino de Deus. As vendas continuaram aumentando e os lucros continuaram subindo. Lorraine deu o seguinte testemunho: “Só sobrevivi nos negócios porque eu dependia totalmente de Deus, pois muitos dos problemas eram muito maiores do que as respostas que eu tinha”. Como empresário cristão, escolha Deus como sócio, permaneça fiel a Ele e seu negócio vai prosperar. Então, essas bênçãos poderão ser usadas para ajudar diversas pessoas em vários lugares.

MD: Como alguém pode começar uma sociedade com Deus?

KL: Em primeiro lugar, devemos reconhecer que somos mordomos. Além disso, como menciono em meu livro, existe uma tensão entre a “liberdade da independência” e o caminho de Deus, que é a “liberdade da dependência”. Basicamente, o mundo está focado na liberdade da independência, e, assim, trabalhamos aproximadamente 90.000 horas para acumular dinheiro e ganhar a nossa liberdade de outros. No entanto, o conceito apresentado por Deus nos encoraja a abraçar uma perspectiva diferente. Deus oferece a liberdade da dependência como alternativa. Em nossa sociedade com Deus, se colocarmos Ele e o Seu reino em primeiro lugar em nossa vida, todas as necessidades serão supridas. Doar, portanto, é um ato de confiança. Não é preciso muita fé para darmos a Deus o dinheiro que sobrou depois que pagamos por todo o resto; mas é preciso fé para dar o dinheiro antes de qualquer gasto. Em meu livro The Giving Equation (A Equação de Doar), o fato de doarmos para Deus costuma ser sinônimo de ter menos dinheiro, o que soa como se aproveitássemos menos a vida. Mas a verdade é que doar para Deus significa ter vida mais abundante. Na economia de Deus, você doa mais e recebe mais. “Deem e lhes será dado” (Lc 6:38). Você dá sua vida, mas Deus lhe devolve mais vida – uma vida cheia de bônus e bênçãos.

MD: O que acontece se as coisas não saírem do jeito que se planejou?

KL: Se há uma coisa que você deve lembrar, é que Deus é seu companheiro. “Confie no SENHOR de todo o seu coração e não se apoie no seu próprio entendimento” (Pv 3:5). Essa passagem bíblica nos lembra que, mesmo que o resultado não seja aquele que esperávamos, Deus está no controle. Se você tem fé em Deus e está cumprindo o propósito Dele, pode seguir em frente com confiança. Mesmo que as coisas não funcionem do jeito que você deseja, elas estão funcionando do jeito que Deus quer. O mundo dos negócios pode ser difícil, mas a confiança em Deus torna a vida muito mais simples, e confiar Nele reduz nossas preocupações.

MD: Existem várias ferramentas mencionadas no livro e, entre elas, você faz referências ao conceito de “segmentação”. Como isso afeta o negócio de um empresário?

KL: Quando começo um negócio, a realidade é que não consigo atingir todo mundo. Portanto, devo tentar atingir os clientes em segmentos específicos do mercado. Entender o seu mercado permite que você forneça produtos ou serviços mais específicos para as necessidades dele.

MD: Para concluir, qual é parte do livro que mais combina com você?

KL: O Model Steward Canvas fornece um plano simples de uma só página sobre como configurar o seu negócio. Além disso, a intenção do plano é ter uma empresa cujos negócios são voltados para o Reino, dependendo de como você gere o negócio, como trata os funcionários, os clientes, os fornecedores e a comunidade. Também gosto desta citação: “Ensine um homem a estabelecer uma empresa de pesca e você não apenas o alimentará por toda a vida, mas trará benefícios para sua família, comunidade e igreja”. Então, a ideia é que se você puder ajudar uma pessoa a abrir um negócio, ela será mais autossuficiente, poderá podem ganhar mais dinheiro para si mesmo, para sua família e sua comunidade. Em resumo, terá um estilo de vida melhor. E, acima de tudo, invista no reino de Deus.

Dr. Ken Long, em entrevista a Emmelyne Virassamy


[*] O livro de Ken Long apresenta um modelo popular de gerenciamento chamado de Steward Canvas, usado para criar e desenvolver negócios, e utiliza este modelo no contexto de “empresa como missão”.


[1] Alex Cook, “Business—The Not So New Mission Field,” Wealth with Purpose, 23 Ago, 2016, https://wealthwithpurpose.com/investment/business-....

Emmelyne Virassamy

Emmelyne Virassamy é originária das Ilhas Maurício. Graduada em Estudos de Comunicação e Mídia no Helderberg College, África do Sul, Emmelyne atua como Criadora de Conteúdo Digital no Departamento de Mordomia da Associação Geral. Ela é apaixonada por esse tipo de atividade e aspira servir a Deus através da mídia e assim alcançar almas para Cristo.

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