By Jeanette Bryson, Ph.D

Quando em nossa vida soa o Código Azul, necessitamos que Jesus nos ajude a ver as coisas como são e não como somos. (Adaptado de uma citação de Anis Anin.)

No ambiente hospitalar, quando um paciente está tendo uma parada cardiopulmonar em alguns países isso é chamado de código azul. Imediatamente, médicos, enfermeiros e técnicos de vários departamentos do hospital socorrem o paciente. O capelão chega e fica quieto junto aos membros da família enquanto o paciente luta pela vida e oa equipe administra o RCP e a intervenção necessária para ressuscitar o coração. O único desejo do paciente é respirar e viver. Enquanto ele está passando pelas tentativas de devolver-lhe a vida que lhe está escapando, todo o sistema da pessoa deve retomar a respiração ou ele morrerá.

No treinamento para ser capelão, pela primeira vez (outubro de 2018 a abril de 2019), havia muito para aprender: quando ouvir, quando orar, quando afastar a família e quando se concentrar no paciente. O falecimento de entes queridos e a aflição dos presentes, incluindo o sentimento de perda entre o pessoal do hospital, ficaram comigo.

A didática sobre a morte e a morte em si mudaram minha perspectiva, não apenas sobre como ajudar os pacientes e familiares, mas como viver minha própria vida. A simulação envolveu sete internos em nosso grupo. Cada um de nós recebeu nove pedaços de papel. Escrevemos um artigo em cada papel, o que nos permitiu escrever três nomes, três sonhos e três artigos materiais. Então nos levaram por um processo de 45 minutos que resultou em um diagnóstico que finalmente nos conduziu ao ponto do código. À medida que nos aproximávamos de nossa morte simulada, cada relatório da equipe médica significava que deveríamos perder um dos nove: um elemento material, um sonho ou uma pessoa. Para seis de nós, o documento final tinha um nome na lista. À medida que focávamos tudo, exceto permanecer vivos, éramos solicitados que pensássemos o que seria lido em nosso obituário.

Embora tenha sido apenas uma simulação, focar nas coisas materiais, nas pessoas e sonhos, nos permitiu pensar em nosso ser interior e nos contentarmos com apenas respirar e seguir vivos.

Focando tudo do lado de fora

Jesus deixou o Céu e tudo o que ali havia para Ele. A história da caminhada de Jesus pela Terra se encontra nas Escrituras: história de amor, de dor, tristeza, graça e alegria. Jesus aceitou o plano do Senhor para Sua vida e estava satisfeito. Enquanto esteve na Terra, permaneceu focado em Sua missão de salvar os outros. Ele estava satisfeito (contente) com o haver feito o que era necessário e, por fim, morreu na cruz por nós.

Dessa forma, nossa vida está cheia desses mesmos componentes de amor, dor, tristeza, graça e alegria. Se apenas nos aproximarmos de Jesus, Ele estará conosco. Quando focamos em nossos desejos e os buscamos, podemos experimentar satisfação e, por fim, totalidade. Isso resulta em uma unidade que proporciona aceitação de nossa missão de representá-Lo e apreciar a vida e os dons que nos foram concedidos. Neste ponto, nossa qualidade de vida melhora.

Uma das histórias mais dramáticas na Bíblia sobre como focar no todo e buscar somente aprender de Jesus melhora a qualidade de vida se encontra em Lucas 13:10-22.

A história é sobre uma mulher corcunda. Um tipo de doença chamada cifose, também conhecida como corcova ou corcunda, é uma condição na qual a coluna vertebral na parte superior das costas tem uma curvatura excessiva. A parte superior das costas, ou região torácica da coluna vertebral, tem normalmente uma ligeira curvatura natural.

A mulher viúva veio para ouvir Jesus. Os registros não dizem que ela veio para ser curada. Sem dúvida, ela havia passado por anos de sofrimento, perguntando-se por que estava nessa condição, suportando insultos, e a incapacidade de olhar para cima, tendo com isso um aspecto estranho. Quando ela veio para ver Jesus, estava feliz de apenas se unir aos que ali estavam para vê-Lo, embora somente pudesse olhar para o chão e ouvir. Parece que Jesus sentiu sua presença. Ele a viu. Chamou-a de filha de Abraão. Disse-lhe: “Mulher, estás livre da tua enfermidade” (Lc 13:12). Em outras palavras, quer dizer: “Filho/a você está livre”.

Um passo para a plenitude

Somos convidados a ir a Deus, a nos contentarmos com o que somos, onde estamos e com o que Ele nos deu, e Ele Se revelará. Podemos ignorar tudo, exceto a necessidade de ouvir Jesus, assim como a mulher corcunda e o paciente que está desesperado para respirar.

Assim sendo, podemos experimentar uma mudança para melhorar a qualidade de nossa vida.

A Organização Mundial da Saúde define a qualidade de vida como a percepção que o indivíduo tem de sua posição na vida no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais vive e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. Esse é um conceito de amplo expectro afetado, de forma complexa, pela saúde física, estado psicológico, crenças pessoais, relacionamentos sociais e seu relacionamento com as características proeminentes de seu ambiente.[i]

Parker Palmer, em seu livro Let Your Life Speak, fala que focarmos em nós mesmos leva à “insegurança sobre identidade e valor” e limita nossa qualidade de vida.[ii]Centrar-se em Jesus nos leva a ver que temos o que necessitamos para uma vida abundante, nos aspectos físico, psicológico, pessoal e social, e que também temos o suficiente para compartilhar.  

A qualidade de vida melhora quando reconhecemos nossos pontos fortes e fracos e focamos em Jesus. É possível que tenhamos de ajustar nosso pensamento para que nossa qualidade de vida cresça e atinja seu potencial máximo. Podemos querer ser como Jesus na história do bom samaritano, mas podemos servir melhor quando focamos nas pessoas que Deus traz para nossa esfera de influência, para a situação experimentada pelo hospedeiro (Lc 10:30-36).

Deus não muda nossas circunstâncias, antes Ele as atravessa conosco. Ele não apagou o fogo da fornalha para os três jovens hebreus, nem tirou os leões da cova quando Daniel ali foi jogado, mas esteve com eles.

Jesus caminhou aqui e permitiu o que chamaríamos de uma interrupção atrás da outra; e então, nos últimos quarenta dias que precederam a cruz, ficou só, para que não tivéssemos de caminhar sozinhos. Se tão somente nos aproximarmos dEle, Ele estará conosco. Ele nos vê assim como viu a mulher corcunda.

Se vocês estão passando por um código azul e necessitam de aceitação total de quem vocês são para Deus, então orem:

Querido Senhor, vimos humildemente Te buscar; precisamos Te ouvir e queremos sentir Tua presença; e, o mais importante, devemos aceitar Teu presente que é Jesus. Por favor, ajuda-nos em nossa incredulidade, ajuda-nos a aceitarmos Tua promessa de nunca nos deixar ou nos abandonar. Em nome de Jesus, amém.

Que possamos experimentar o coração do hospedeiro de servir aos outros em nome de Jesus e experimentar o uso sábio e altruísta de nossas vidas, corpos, talentos, tempo e tesouros. Se fizermos isso, a qualidade de nossa vida continuará passando por exponencial crescimento de qualidade.

 

[i]Extraído em 05/12/19 de https://www.who.int/healthinfo/survey/whoqol-qualityoflife/en/.

[ii]P. J. Palmer, Let your life speak: Listening for the voice of vocation (San Francisco, CA: Jossey-Bass, 2000), p. 85, 86.

Jeanette Bryson, Ph.D

Jeanette Bryson, Ph.D

Jeanette Bryson, Ph.D., presidente do Departamento de Educação da Universidade Adventista de Washington e capelã de residência no Hospital da Universidade de Georgetown.