By Don McFarlane

Um motivo para celebrar é um motivo para dar!

 

Em minha família, cada aniversário é celebrado com uma refeição especial que, normalmente, enche a casa com aromas irresistíveis do Caribe. A refeição é complementada com uma conversa animada, um passeio pelas lembranças do passadoe a entrega de presentes. Gostamos de celebrar! Daqui a duas semanas, minha esposa e eu, receberemos a visita de minha mãe e já planejamos uma festa para celebrar sua chegada e o importante papel que ela desempenhou em meu preparo para o serviço do Evangelho.

 

“Parece que, como espécie, somos instintivamente impulsionados a honrar os momentos significativos de nossa vida. Há necessidades profundas subjacentes que nos levam a participar de celebrações. O resultado é que encontramos muitas formas maravilhosas de satisfazer a essas necessidades e criar mais significado em nossa vida”.[1]

 

Tem certa importância as cerimônias no término da vida que estão sendo rotuladas, cada vez mais, como “Celebração da vida”, em vez de “Cerimônia fúnebre”. Como isso é apropriado! Na epístola aos Filipenses, Paulo fala sobre a possibilidade de sua morte iminente e diz à igreja de Filipos que ficará feliz se isso acontecer e que eles também deveriam se alegrar com ele: “Mesmo que eu seja executado aqui e agora, partirei alegre, como se fosse parte da oferta de sua fé, que vocês oferecem no altar de Cristo, parte da alegria de vocês. Mas é justo que o inverno também aconteça – vocês devem se unir a mim na minha alegria. Seja lá o que vocês fizerem, não se preocupem comigo”.[2]Em outras palavras, não lamentem minha morte; celebrem-na.

 

 

Uma característica proeminente do Antigo Testamento é a celebração de vários ritos e eventos por parte do povo de Deus. Os filhos de Israel parece que tinham sempre uma “desculpa” para ter uma celebração. Quando o muro de Jerusalém foi reconstruído, depois do exílio, eles celebraram com uma grande festa: “Por ocasião da dedicação a Deus dos muros de Jerusalém, os levitas foram convocados e trazidos de onde estavam vivendo para Jerusalém a fim de participarem alegremente das cerimônias de dedicação com seus hinos, cânticos e declamações de ações de graça, ao som de címbalos, alaúdes, harpas e liras. Os cantores foram trazidos tanto dos arredores de Jerusalém, quanto dos povoados dos netofatitas; como também de Bete-Gilgal, e dos campos de Geba e Azmavete; porquanto os cantores haviam construído para si aldeias nas vizinhanças de Jerusalém”[3].Ellen White destaca o significado da celebração da Festa dos Tabernáculos, de Israel, dizendo: “A festa continuou por sete dias e, para sua celebração, os habitantes da Palestina, com muitos de outras terras, vieram a Jerusalém. Idosos e jovens, ricos e pobres, todos trouxeram alguma dádiva como tributo de ação de graças Àquele que havia coroado seu ano com Sua bondade. Tudo o que podia expressar a alegria universal foi trazido dos bosques”.[4]

 

Houve momentos nos quais Deus convidou Seu povo para fazer uma festa e também lhes propiciou os meios e o lugar para fazê-la. Quando eu era criança, “festa” não era uma palavra associada ao Criador do universo; mas quanto mais me familiarizo com as Escrituras, mais amável e relacionável Deus Se torna. Em Deuteronômio 14, encontramo-nos com Deus em um ambiente festivo. Ele diz ao povo que use o dinheiro do dízimo para uma festa. Não estou brincando! “Contudo, se o local for demasiado distante para ti, e tiveres sido abençoado pelo SENHOR teu Deus, e não te seja possível carregar todo o dízimo, porquanto o local escolhido pelo SENHOR para ali assentar seu Nome é longe demais, troca o dízimo por prata, e leva esse dinheiro ao local que o SENHOR, o teu Deus, tiver estabelecido. Lá poderás trocar a prata, o dinheiro, por tudo o que quiseres comer: carne de vaca, ovelha, carneiro, vinho, bebida fermentada, ou qualquer outro alimento que desejares. Então, juntamente com tua família comerás e te alegrarás ali, na presença de Yahweh, teu Deus”.[5]

 

Evidentemente, Deuteronômio 14 não nos dá licença para usar o dízimo do Senhor em eventos de celebração. E, é claro, o aqui mencionado não se trata do primeiro dízimo que é reservado para os levitas. Trata-se do segundo dízimo. Mas a orientação de Deus segue sendo importante porque nos ajuda a compreender que a imagem de um Deus sombrio e sério que alguns têm promovido não é a soma total de Sua personalidade. Há também um lado divertido nEle. Ele ama uma boa “festa”. Jesus também demonstrou isso ao comparecer às bodas de Caná e ao contribuir para o evento transformando a água em vinho.

 

Em 1990, assisti à minha primeira Assembleia da Associação Geral e, de imediato, compreendi por que a Assembleia da Associação Geral é tão especial para milhões de adventistas do sétimo dia. As decisões tomadas em plenário na Assembleia têm certo grau de importância, mas o aspecto da celebração desse grande evento é o fator de peso para os que estão dispostos a gastar “muito dinheiro” para comparecer. Enquanto os delegados e convidados celebram a diversidade, o crescimento e o impacto da igreja, os presentes têm a concepção de que fazem parte de um movimento enorme, dinâmico e progressivo. A maioria comparece com o desejo de desempenhar seu papel na manutenção desse movimento global chamado adventismo do sétimo dia.

Em nossas igrejas locais, não podemos replicar a atmosfera de celebração expansiva de uma Assembleia da Associação Geral, mas é importante que uma igreja faça das celebrações regulares e frequentes parte de seu calendário fixo e de suas atividades espontâneas. Uma igreja que celebra é a que tem mais probabilidade de ser atraente às pessoas que estão buscando um lar espiritual. Igualmente, a celebração das ações de Deus na vida de uma igreja tem uma forma de provocar a atitude positiva dos membros, o que, por sua vez, cria um poço de generosidade nos corações que não são resistentes aos impulsos do Espírito, para dar alegremente de si mesmos, de seus talentos e de seu dinheiro para sustentar aquele que celebra.

Sou o único que acredita seriamente que a celebração deve ser agregada ao jejum, à oração e à meditação como uma disciplina espiritual? É tão significativo como os outros três na formação do caráter, na reativação do espírito, na criação de propósito e na afirmação da fé. Datas anuais de celebração, como Ação de Graças, Natal e Semana Santa são necessárias para esse fim. Mas não temos de esperá-las para celebrar. Podemos encontrar motivos de celebração em nossa casa, em nosso trabalho, em nossa comunidade ou em nossa igreja local.

Em nossas igrejas locais, podemos celebrar os esforços abnegados e de sacrifício dos que ensinam e conduzem nossas crianças na Escola Sabatina, nos Desbravadores ou Aventureiros. Podemos celebrar cada membro novo que se une à igreja pelo batismo ou pela profissão de fé. Podemos celebrar nossos idosos e seus feitos especiais na vida. Acima de tudo, podemos e devemos celebrar os três eventos mais notáveis de nosso mundo desde a criação: o incompreensível nascimento, a morte desinteressada e a gloriosa ressurreição de nosso Senhor. Como recentemente me disse um amigo: “Se não podemos celebrar esses eventos marcantes, nenhuma outra celebração é importante”.

 

[1]Seline Shenoy, 5 Reasons Why It Is Important to Commemorate Special Occasions. Acessado em shop.projecthappiness.org.

[2]Filipenses 2:17, 18, versão A Mensagem.

[3]Neemias 12:27-29, versão King James Atualizada.

[4]Ellen G. White, From Heaven With Love, p. 300.

[5]Deuteronômio 14:24-26, versão King James Atualizada.

 

 

Citação Pessoal: A celebração dos atos de Deus na vida de uma igreja tem uma forma de suscitar uma atitude positiva da parte dos membros que, por sua vez, cria um poço de generosidade em seu coração.

Don McFarlane

Don McFarlane

Originalmente da Jamaica, Don McFarlane trabalhou como pastor, diretor departamental e administrador da igreja na União Britânica e na Divisão Trans-Europeia por 33 anos. Nos últimos sete anos ele foi o pastor dos ministérios de administração e dos adultos na Igreja Adventista do Sétimo Dia de Sligo.

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July–September, 2019

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