Don McFarlane

 

Quando sou tentado a promover a igreja de maneiras que são mais apropriadas para uma empresa comercial, eu me lembro que enquanto a igreja pode e deva ser dirigida de acordo com princípios de negócios sadios, a primeira responsabilidade dos líderes é cuidar dos crentes que Deus lhes confiou. Eles são preciosos, não por conta do rótulo de uma organização ou por uma alta definição, mas porque eles foram comprados pelo precioso sangue de Jesus. Neste resumido artigo, eu quero compartilhar quatro princípios de “pastoreio” que, quando abraçados pelos líderes da igreja, devem provavelmente levar a uma igreja mais generosa e doadora.

Podemos sentir a ternura e o amor nas palavras de Jesus em João 10:27 (NVKJ). “Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”. O pastoreio cristão no seu cerne tem a ver com a maneira como os líderes se relacionam com seus membros. Não é coisa doutrinária ou uma transação, é relacional. Se os membros são vistos meramente como uma fonte de recursos que podem ser procurados para qualquer projeto que os líderes concebem, eles em breve vão desenvolver resistência aos apelos da liderança. A experiência tem nos ensinado que um perigo sempre presente para pastores, evangelistas e líderes da igreja local é a tentação de agir mais como vendedores sem princípios do que pastores em “servir” à igreja. Existem muitos bons vendedores que são éticos em seu trabalho, mas há outros que usarão praticamente qualquer estratégia, incluindo vergonha, medo, culpa e promessas falsas ou enganosas, para levar as pessoas a comprar seus produtos ou serviços.

Cristo convoca os líderes da igreja para amar seus membros a qualquer custo. Superficialmente isso soa como coisa banal, mas é verdade. Os membros provavelmente devem tolerar um pregador médio ou até um pregador pobre, mas eles raramente aceitarão um líder que realmente não cuida deles. O cuidado genuíno de um líder spiritual pelo seu rebanho é fundamental para o senso de pertencimento, de valor e de conexão de seus membros. Cuidar significa que os líderes estão com seus membros nos seus eventos de celebração, em momentos de alegria e também na adversidade. Cuidar toma tempo, mas é isso que os bons líderes e os bons pastores fazem. Foi isso que Jesus fez.

“Tenho compaixão desta multidão; já faz três dias que eles estão comigo e nada têm para comer. Se eu os mandar para casa com fome, vão desfalecer no caminho, porque alguns deles vieram de longe” (Marc. 8:2,3 NVI).

 

Programas de Missão

Música fina, edifícios atraentes e pregações inspiradoras são todos desejáveis, mas não são a razão para a existência da igreja. William Temple, Arcebispo de Canterbury de 1942-1944, supostamente disse: “A igreja é a única instituição que existe principalmente para o benefício daqueles que não são seus membros”.  Esta afirmação, ou variações dela, parece irritar alguns membros da igreja, particularmente aqueles que veem a igreja como um lugar onde eles são capazes de condescender com suas fantasias religiosas ou socializar com membros que pensam da mesma forma. Visitando uma pequena igreja um sábado na Associação do Sul da Inglaterra, passei a tarde conversando com seus membros sobre a necessidade de alcançar a comunidade e compartilhar o evangelho em maneiras práticas e emocionantes. Quando concluí minha apresentação, fiquei chocado com a reação deles. Em resumo, eles disseram: “Nós somos felizes como estamos; conhecemos todos aqui, e nos sentimos bem uns com os outros. Nós não saberíamos como se relacionar com novas pessoas entrando na igreja” Meu coração afundou, mas pelo menos eles foram honestos.

Paixão pela missão da igreja e envolvimento ativo com a comunidade em si tem um forte apelo aos membros. Na minha igreja atual, os membros são entusiasmados para apoiar qualquer iniciativa na comunidade com seu tempo, sua energia e seus meios. Ter programas orientados pela missão em qualquer nível da igreja é fundamental para os membros doarem, não apenas fiel e generosamente, mas também com sacrifício.

 

ABERTURA E RESPONSABILIDADE

Na comunidade onde eu moro há uma Associação dos Proprietários de casas. Eu sou obrigado a pagar mensalmente uma taxa de $60,00 para a Associação. Essa taxa vai para a manutenção da piscina, quadra de tênis e outras instalações compartilhadas. No final de cada ano, eu recebo uma declaração detalhada da Associação de como cada dólar recebido durante o ano foi gasto. Embora eu raramente leio esse documento linha por linha, recebê-lo me faz sentir valorizado pela Associação. Seus oficiais me consideram um interessado.

Os membros da igreja também são interessados. Na minha igreja local, os membros não ficam impressionados com a idéia de que seu dever é devolver o dízimo e dar suas ofertas à igreja, e não se preocupam com a sua utilização. Eu me encolho cada vez que ouço essa visão expressa pelos líderes da igreja. Servindo como presidente da Associação do Sul da Inglaterra nos anos 90, com Victor Pilmoor como tesoureiro, promovemos uma campanha de transparência com os membros de nossa igreja sobre como os fundos da associação estavam sendo usados. Isso incluiu a publicação da declaração financeira na correspondência da associação de forma contínua. Algo notável aconteceu na primeira reunião eleitoral durante esse período de abertura.

Depois que o tesoureiro apresentou seu relatório e o presidente abriu espaço para perguntas, nenhuma pessoa entre as centenas de delegados presentes foram ao microfone para fazer uma pergunta sobre finanças. Finanças é um dos assuntos em uma reunião do círculo eleitoral que atrai a maioria das perguntas, mas os delegados sabiam tanto sobre as finanças da Associação quanto o oficiais, então não havia necessidade de perguntas. O forte desempenho financeiro da Associação Sul da Inglaterra, que continua até os dias atuais, tem muito a ver com sua ênfase na abertura e responsabilidade.

 

PROMOVER A DOAÇÃO COMO PARCERIA

COM DEUS
Crescendo na Jamaica e depois morando no Reino Unido, eu sempre via nomes de empresas que sugeriram uma parceria entre pais e filhos: Hanna e Filhos, Ltda ; W. Stephens & Filhos. João diz: “ Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus” (João 1:12 NVI). Como filhos e filhas, Deus nos convidou a unirmos a Ele em Seu empreendimento principal, que é salvar a família humana das consequências eternas do pecado. Quando Ele convida Seus filhos a devolver o dízimo e apoiar os ministérios da igreja com suas ofertas, Ele está oferecendo a eles a oportunidade de se envolverem na empresa mais importante e de longa duração que existe. É dever do líder entusiasmar os membros com essa parceria. Que honra ter sido convidado por Deus como parceiro na salvação! “Deus planejou o sistema de beneficência, a fim de que o homem se pudesse tornar como seu Criador: de índole benevolente e abnegada, e ser finalmente coparticipante de Cristo, da eterna e gloriosa recompensa” (Ellen G. White, Conselhos sobre mordomia, p. 15).

CONCLUSION
Fidelidade e Generosidade em uma congregação não resultam de constantes apelos do púlpito para darem mais ou dar consistentemente. É o resultado de mostrar aos nossos membros a face de Deus através de cuidado e compaixão. Conservando a missão da igreja no centro dos planos e programas da igreja, tratando cada membro como interessado e enfatizando a parceria divino-humana no “empreendimento de salvação”.

 

 

Nascido na Jamaica, Don McFarlane trabalhou como pastor, diretor de departamento e administrador da União Britânica e da Divisão Transeuropeia durante 33 anos. Durante os últimos sete anos ele foi o pastor para o Ministério administrativo e dos adultos na Igreja Adventista do Sétimo dia de Sligo.