By Alain G. Coralie

Vivemos numa época onde muitos adoram o dinheiro. É a sua fonte suprema de segurança, identidade e propósito para a vida. Todavia, nesta mesma época, Deus convida o Seu povo a adorá-lO com o seu dinheiro. Isto significa que, como seguidores de Cristo, não somos chamados a adorar a Deus apenas com os nossos lábios, através de cânticos, oração e pregação. Somos convidados a adorar a Deus também com dádivas materiais. Dar não é opcional ao adorador, porque os dízimos e as ofertas são um elemento essencial da adoração a Deus. Ellen White resume o princípio básico das ofertas dos Cristãos na adoração coletiva da forma seguinte:

Pertencemos a Deus; somos Seus filhos e filhas — Seus pela criação e Seus pelo dom de Seu Filho unigênito, para a nossa redenção. “Não sois de vós mesmos [...] fostes comprados por bom preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” A mente, o coração, a vontade, e as afeições pertencem a Deus; do Senhor é o dinheiro que manuseamos. Todo bem que recebemos e desfrutamos resulta da benevolência divina. Deus é o liberal doador de todo bem, e deseja que, da parte de quem recebe, haja reconhecimento dessas dádivas que proveem todas as necessidades do corpo e da alma.[1]

Porquê que adoramos a Deus com as nossas dádivas? Porquê que damos os nossos dízimos e ofertas? O que expressamos através destas dádivas? Consideremos brevemente o incentivo, propósito e teologia por trás do ato de doação na adoração coletiva, com referência especial aos escritos de Ellen G. White.

Incentivo

O que nos motiva a dar durante o culto? Que aspeto do nosso relacionamento com Deus nos motiva a levarmos as nossas ofertas monetárias a Ele todos os Sábados?

Primeiro, as nossas ofertas são uma resposta sincera à graça de Deus para connosco. Como adoradores, devemos lembrar-nos constantemente que não damos meramente para sustentar a organização da igreja. As ofertas do crente não devem ser consideradas apenas como resposta às necessidades financeiras da igreja, mas como expressão da adoração ao Criador pelo Seu cuidado. Dar é, fundamentalmente, uma expressão do nosso amor e louvor a Deus pela Sua graça maravilhosa. Expressamos concretamente a Sua soberania incontestada sobre as nossas vidas através dos nossos dízimos e ofertas. Expressamos o nosso amor por Aquele que nos amou primeiro através das nossas ofertas voluntárias.

Segundo, ao darmos, reconhecemos a Deus como Provedor e Perdoador. Deus é o Autor de “toda boa dádiva e todo dom perfeito” (Tiago 1:17, ARC), e “a todos dá liberalmente e nada lhes impropera” (vs. 5). Declarar a Deus como doador é considerar o Seu dom supremo, Jesus Cristo, o qual desafia os Seus seguidores a Lhe darem liberalmente porque de graça receberam (Mat. 10:8).

Deus é também o Perdoador. Em Cristo, Deus concede à humanidade a sua única fonte de perdão e reconciliação. Isto significa que dar não pode ser visto como uma forma de manipular Deus, através da qual podemos trocar dinheiro pelas Suas bênçãos. O ato de dar, como qualquer outro aspeto da adoração Adventista, é motivado por Deus se dar a Si próprio. O dom supremo de Deus é o maior incentivo para darmos. Através das nossas dádivas, demonstramos de forma tangível que fomos atraídos pela graça maravilhosa de Deus e que agora Lhe pertencemos, como Seus filhos redimidos.

Terceiro, dar é uma resposta às bênçãos de Deus. Dar é um testemunho eficaz de que Deus é a Fonte de todas as bênçãos. Os dízimos e ofertas são dados durante os serviços religiosos como afirmação incontestada que Deus tem abençoado continuamente o Seu povo. Damos em apreciação pela liberalidade de Deus e em gratidão por Suas bênçãos abundantes. Ao darmos, reconhecemos que “o grande e infinito Deus não vive para Si, mas para benefício e bênção de cada ser e cada objeto da Sua criação.”[2] Deus dá constantemente e convida-nos também a darmos em resposta. Em um artigo escrito em 1881, Ellen White apresenta este ponto com ironia: “Quando o nosso Benfeitor Celestial se esquecer dos nossos pedidos repetidos; quando Deus se esquecer de ser amável, e nenhuma das Suas dádivas correr para os nossos estábulos, celeiros e lagares,—então podemos alegar motivo de retenção das nossas ofertas.”[3] Assim, as nossas ofertas são uma prova da nossa gratidão pela providência de Deus. Como tal, não damos a fim de recebermos mais de volta; devolvemos a Deus porque já recebemos muito dEle.

Propósito

Porquê que os crentes dão durante o serviço de adoração? Quais são os motivos por trás do ato de dar? Podemos notar que os adoradores dão pelos motivos seguintes: (1) Como ato de adoração. (2) Ajudar a missão da igreja. (3) Boa mordomia.

Primeiro, dar é um ato de adoração. Ellen White não deixa dúvidas: “O sistema dos dízimos e ofertas destinava-se a impressionar a mente dos homens com uma grande verdade—verdade de que Deus é a fonte de toda bênção a Suas criaturas, e de que a Ele é devida a

gratidão do homem pelas boas dádivas de Sua providência.”[4] Através das nossas dádivas rendemos louvor e gratidão a Deus pela Sua excelência e bondade. Dar é uma expressão tangível de amor e compromisso a Deus, uma resposta à Sua generosidade. É a resposta jubilante do coração à bondade de Deus. É a devolução sistemática de uma parte daquilo que Deus nos concedeu.

Segundo, o povo de Deus dá para apoiar a Sua obra, especialmente “em manter os

obreiros do evangelho em seu trabalho.”[5] Como Adventistas, partilhamos a ideia que “Deus tem feito depender a proclamação do evangelho do trabalho e dos donativos de Seu povo.”[6] Cada vez que damos, devemos fazê-lo com a firme convicção que estamos a apoiar concretamente a proclamação do evangelho e o avanço da missão da igreja no mundo. Todavia, como adoradores, devemos ter sempre em mente que as nossas dádivas não são para a igreja e sim para Deus. Isto significa que os líderes da igreja são responsáveis perante Deus e o corpo de Cristo pela forma como administram o dinheiro de Deus. Assim, dar não é apenas uma forma visível de expressarmos o nosso louvor e gratidão, mas é também uma forma de expressarmos tangivelmente o nosso compromisso de sermos parceiros de Deus na Sua missão de salvar os perdidos.

Terceiro, damos durante a adoração coletiva, porque cremos na mordomia Cristã. Compreendemos que Deus fez o mundo para deleite e cuidado do povo que criou e redimiu. Reconhecemos que, como mordomos de Deus, somos responsáveis perante Deus pelo uso da graça que Ele nos confiou. Reconhecendo que Deus é dono de tudo em nossas vidas, dedicamos-Lhe tudo o que temos, incluindo os nossos dízimos e ofertas. Isto significa que o ato de dar é um ato de dedicação e adoração. Ao darmos, afirmamos que a vida é para ser vivida sob a soberania de Cristo. Tais dádivas são uma expressão do nosso compromisso total a Deus. Assim, dar constitui uma sujeição semanal da vida e posses à soberania de Cristo. “O próprio ato de dar expande o coração do doador e o une cada vez

mais ao Redentor do mundo.”[7] Ao darmos, aproximamo-nos mais de Cristo[8] e tornamo-nos mais semelhantes a Deus;[9] desenvolvemos o caráter para o céu.[10]

Como Adventistas, reconhecemos o dízimo como “santo ao Senhor” (ver Lev. 27:30, 32 ARC). É devolvido a Deus como sendo Seu. Adicionalmente, consideramos as ofertas como uma oportunidade de expressarmos a nossa gratidão e amor a Deus pelo Seu cuidado constante. A devolução do dízimo e entrega de ofertas não é algo impulsivo no contexto da adoração Adventista. Os adoradores devem preparar a sua oferta em casa e levá-la ao Sábado com corações alegres.

Teologia

O reconhecimento explícito do amor e cuidado de Deus permeia o ato de doar. Uma suposição fundamental da liturgia é que Deus, o Criador, Redentor e Mantenedor do Seu povo merece adoração completa. O motivo básico da oferta, para além do financiamento normal dos funcionários da igreja, atividades e missão, é responder à generosidade de Deus na Sua criação, redenção e providência.

A fidelidade nas ofertas reflete a natureza do nosso Pai celestial. Deus é fiel no cuidado pelo Seu povo, tendo manifestado isto supremamente ao cumprir a Sua promessa de enviar o Messias. A Sua fidelidade abrange todas as áreas da vida Cristã. Ao darmos, reconhecemos que Deus é um Provedor fiel, porque dar faz parte da Sua natureza. Ele está empenhado em abençoar o Seu povo.

“Jesus é Senhor” é uma afirmação que se encontra no núcleo da adoração Cristã. Na realidade, o ato de dar emana desta afirmação central. Tanto a criação como a nova criação em Cristo são dádivas de Deus. Cristo ofereceu-se como sacrifício e convida os Seus redimidos a se oferecerem a si próprios como sacrifícios vivos (Rom. 12:1, 2). A Sua reivindicação do domínio de Deus agora é expresso liturgicamente na oferta, onde a igreja reconhece a ligação vital que existe entre a sua profissão de fé e as suas ações concretas.

Este papel crucial de Jesus Cristo no nosso ato de doação é realçado por Ellen White:

Todas as bênçãos precisam vir por meio de um Mediador. Agora todo membro da família humana está inteiramente entregue nas mãos de Cristo, e tudo que possuímos — quer seja o dom de dinheiro, de casas, de terras, de faculdades de raciocínio, de força física, ou de talentos intelectuais — nesta vida presente, e as bênçãos da vida futura, é colocado em nosso poder como tesouros de Deus a serem aplicados fielmente para benefício do homem. Todo dom é assinalado pela cruz e traz a imagem e a inscrição de Jesus Cristo. Todas as coisas provêm de Deus. Desde os menores benefícios até à

maior bênção, tudo flui através do único Conduto — uma mediação sobre-humana salpicada com o sangue cujo valor é inestimável porque era a vida de Deus em Seu Filho.[11]

Nesta perspetiva, Deus está envolvido do princípio ao fim. A oferta não é um movimento unilateral da igreja para Deus. Ao contrário, Deus é sempre o primeiro a agir, antes da igreja responder em adoração, através das suas dádivas. Dar é mordomia da graça divina.

Implícito na devolução do dízimo e entrega de ofertas durante o culto de adoração é que Deus recebe, na realidade, estas dádivas. Todavia, é a igreja que usa as ofertas para fazer avançar o reino de Deus. Se é Deus que recebe e a igreja que usa as ofertas, então há uma ligação íntima entre a ação divina e humana no propósito salvífico de Deus para a humanidade. A igreja é o instrumento usado para o avanço do reino de Deus na terra. A entrega fiel e generosa dos dízimos e ofertas facilita a proclamação e realização do reino de Deus no cenário da vitória derradeira e escatológica de Cristo.

 Conclusão

Dar é uma demonstração do nosso Cristianismo e verdadeira adoração a Deus. Uma vez que estamos agora reconciliados com Deus, damos grande importância à devolução livre e jubilante dos nossos dízimos e entrega de ofertas.[12] Deus abençoa-nos ao darmos com um coração agradecido.[13] Verdadeiramente, adoração é dar, e dar é adoração. Cristo pede o nosso coração completo e afeição total.[14] Ele não pode aceitar as nossas dádivas a menos que venham do coração.[15] Dar expressa a nossa fidelidade total a Deus, que é o âmago da adoração verdadeira.

 

[1] Ellen G. White, Conselhos sobre Mordomia, p. 72.

[2] White, Australasian Union Conference Record, 1 de junho de 1900.

[3] White, The Review and Herald, 4 de janeiro de 1881.

[4] White, The Review and Herald, 10 de setembro de 1889.

[5] White, Testemunhos para a Igreja, vol. 9, p. 249.

[6] White, Atos dos Apóstolos, p. 41.

[7] White, The Review and Herald, 31 de outubro de 1878.

[8] White, Testemunhos para a Igreja, vol. 3, p. 405.

[9] White, Testemunhos para a Igreja, vol. 9, p. 255.

[10] White, The Review and Herald, 16 de maio de 1893.

[11] White, Fé o Obras, p. 19.

[12] White, Manuscrito 159, 1899; Conselhos sobre Mordomia, p. 66; The Review and Herald, 26 de dezembro de 1882; Testemunhos para a Igreja, vol. 1, p. 238.

[13] White, Serviço Cristão, pp. 90, 175; Testemunhos para a Igreja, vol. 5, pp. 267, 268; Testemunhos para a Igreja, vol. 3, pp. 304, 305.

[14] White, Testemunhos para a Igreja, vol. 1, p. 160.

[15] White, Testemunhos para a Igreja, vol. 2, p. 169.

Alain G. Coralie

Alain G. Coralie

Alain Coralie é Secretário Executivo da Divisão Africana Centro-Ocidental. É casado com Caroline e são pais orgulhos de uma filha, Audrey-Joy. O seu MTh (Oxford) e PhD (Bristol) incidem na teologia da adoração.