By Tony Reyes

Se cresceu em Monterrey, México, como eu, o futebol seria algo muito importante. E se gostasse de futebol e morasse em Monterrey, iria apoiar um de dois times: C.F. Monterrey ou Club Tigre—mas não ambos. Embora fossem os dois times locais, um fã que não conseguisse decidir não era fã no parecer da maioria das pessoas, e sim um pseudo-fã.

Eu fiz a minha escolha pelo C.F. Monterrey em 1990, aos 13 anos. O meu primo adulto, Poncho, convidou-me a assistir a um jogo entre o C.F. Monterrey e os Milonários de Colômbia. Um dos seus amigos desistiu de ir à última da hora e esta foi uma oferta que eu não pude recusar. Quando chegou o dia do jogo, Poncho e o seu amigo chegaram em uma carrinha completamente decorada com o equipamento do C.F. Monterrey—tanto as eles como a carrinha.

Já no estádio, começou o jogo. Nós batemos palmas, gritámos, cantámos e até celebrámos com pessoas que não conhecíamos e, possivelmente, nunca veríamos outra vez. Naquele momento, ao celebrarmos a vitória por dois golos do C.F. Monterrey, éramos uma família. Naquela noite, tornei-me fanático autoproclamado do C.F. Monterrey. Nos anos seguintes, o C.F. Monterrey tem-me proporcionado alegrias e tristezas. Mas a minha lealdade nunca vacilou e, até ao dia de hoje, eu uso a camisa do C.F. Monterrey com orgulho. Se quiser fazer amizade imediata comigo, pergunte-me qual é o meu time de futebol favorito.

 A Adoração de um Discípulo Verdadeiro

A esta altura deve estar a pensar: “Boa história, Tony! Mas os tem isso a ver com o discipulado ou mordomia?” Bem, discipulado e mordomia—ambos aspetos da adoração que damos a Deus como Cristãos—é muito mais como futebol do que pode pensar. Em Monterrey, não amávamos só o futebol. Amávamos um dos dois times de futebol locais, mas não os dois. O mesmo é verdade para os Cristãos verdadeiros com relação a Cristo e ao mundo. Deus não deseja pseudo-discípulos mais do que os times de futebol em Monterrey querem pseudo-fãs. Deus quer discípulos que Lhe são resolutamente fiéis, e a Bíblia deixa claro que os discípulos de Deus são distinguidos pela sua adoração.

Qual é a natureza da adoração que distingue um discípulo verdadeiro de um pseudo-discípulo? Primeiro, os verdadeiros adoradores de Deus não retêm nada. Não partilham a sua adoração com qualquer outra coisa que não seja Deus, tal como o fã verdadeiro de um dos times de futebol em Monterrey não torce pelo outro time. Segundo, o verdadeiro adorador de Deus adora a Deus por meio de ações que tornam óbvia a sua lealdade ao mundo que o observa. Tal como os fãs verdadeiros do C.F. Monterrey usam as cores do time e decoram os seus carros com equipamento do C. F. Monterrey, os adoradores Cristãos tornam óbvia a sua lealdade cada vez que se relacionam com os outros por meio de palavras ou ações e, talvez o mais importante, na forma como usam as suas posses materiais.

Uma das coisas mais importantes que distingue o verdadeiro discípulo do pseudo-discípulo é o reconhecimento de que tudo aquilo que têm vem de Deus, assim como a sua prontidão de colocarem tudo completamente à disposição de Deus. No Antigo Testamento, esta atitude era expressa através do sacrifício. A adoração através do sacrifício veio primeiro, não por último, como vemos em Gênesis 8:20. A primeira coisa que Noé fez quando saiu da arca foi construir “um altar ao Senhor e, tomando de animais limpos e de aves limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar.” Tais atos de sacrifício eram adoração para os crentes do Antigo Testamento, conforme visto em Gênesis 22:5 (ARC), onde Abraão diz aos seus servos, “Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós.”

 A Exclusividade da Adoração

Então, a partir destes exemplos podemos ver que a adoração não é uma ideia, nem mesmo um sentimento, mas antes uma reação—uma ação que surge do reconhecimento do adorador da glória de Deus e da sua dependência total de Deus e da sua dívida para com Ele.

Outro aspeto que é importante notar sobre a adoração genuína do Deus verdadeiro é que esta é radicalmente exclusiva. “O Criador do Universo é o verdadeiro e único objeto de adoração. Nenhum homem ou anjo é digno de adoração. Este é unicamente o privilégio de Deus. O ato da criação é uma das características que distingue o Deus verdadeiro dos deuses falsos (Jer. 10:11, 12 ARC).”[1] Deus é o único que merece a nossa adoração. A nossa adoração não tem valor se for partilhada com outra pessoa ou outra coisa.

 A Totalidade da Adoração

A natureza absoluta e total da adoração verdadeira é constatada nos sacrifícios realizados pelos crentes do Antigo Testamento. Quando os sacrifícios eram apresentados a Deus na era do Antigo Testamento, a pessoa colocava o cordeiro inteiro no altar, simbolizando a entrega total da vida a Deus. O apóstolo Paulo explica a relevância disto para os crentes do Novo Testamento: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rom. 12:1 ARC).

O que o apóstolo Paulo esta a dizer é que, se ainda não entregamos toda a nossa vida (definitivamente incluindo tudo o que Deus nos tem dado: tempo, talentos, tesouro) não O adoramos verdadeiramente—mesmo que executemos todas as formalidades de frequência à igreja e aparência de uma vida Cristã. Deus deseja que Lhe entreguemos a nossa vida. Ele chama a isto o nosso culto racional. Vemos que a verdadeira adoração não é apenas uma questão de lealdade, mas principalmente uma questão do coração.

 Onde está o nosso tesouro . . .

Ao visitar os mais de 170 grupos congregacionais da Conferência de Potomac e encorajar os nossos membros a entregarem o seu coração a Jesus, eu tenho entendido que a devolução do dízimo e ofertas é, possivelmente, o momento mais revelador e polarizador do culto de Sábado. Eu observo reações diferentes, desde alegria e desejo a conflito interior e tentativas de fuga. Muitas pessoas parecem lembrar-se da necessidade de hidratação e saem para beber água. Outras lembram-se da mensagem ou telefonema urgente que devem enviar ou fazer naquele momento exato.

Nada revela a verdadeira natureza do nosso relacionamento com Deus mais do que aquilo que fazemos com o nosso dinheiro. De forma muito real, o nosso dinheiro é a nossa vida. Pensem nisto: pelo menos um terço do nosso tempo é passado a adquiri-lo; na realidade, um terço das nossas vidas. O nosso trabalho, mesmo que nem sempre seja importante, faz uso dos dons que Deus nos concedeu para podermos ganhar dinheiro. Usamos a força física e energia recebidas de Deus para utilizarmos o nosso tempo e talentos. Por fim, como diz o velho ditado, “É preciso gastar dinheiro para fazer dinheiro.” Por exemplo, quanto gasta em transporte de e para o trabalho? Jesus diz em Mateus 6:21, “Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” Podemos também dizer, “Onde está o teu tesouro, aí está também a tua vida."

Escolha um Time!

Ellen G. White afirma, “Há apenas dois lugares no Universo onde poderemos colocar nossos tesouros — no celeiro de Deus ou no de Satanás; e tudo o que não é dedicado ao serviço de Deus é contado do lado de Satanás, e vai fortalecer sua causa. Determinou o Senhor que os meios a nós confiados sejam usados na edificação de Seu reino. Seus dons são confiados aos Seus mordomos para que com eles negociem cuidadosamente, e Lhe devolvam os rendimentos na obra da salvação. Tais pessoas, por seu turno, se tornarão mordomos de confiança, cooperando com Cristo para promover os interesses da causa de Deus.”[2]

Existem dois lados (ou times, se preferir) a pedirem um compromisso para a vida. Por um lado, Deus, o nosso Criador e Redentor; por outro lado, o mundo, a carne e o diabo. Quando devolvemos os nossos dízimos e ofertas dizemos a Deus, “Eu confio em Ti e obedeço-Te com a minha vida,” e estamos a entregar-nos a Ele como o único e verdadeiro objeto da nossa adoração.

Então, onde está a sua vida? A quem ou a quê a entrega? Está a tentar torcer por dois times? É pseudo-fã? Ou está o selo de Deus marcado em tudo o que é e tudo o que possui, como (por exemplo) as cores do C.F. Monterrey nas roupas e veículos dos fãs verdadeiramente dedicados? Se está ainda a tentar decidir, Deus o(a) chama a entregar tudo o que tem e tudo o que é a Ele. Confie nEle. Ele fará com que seja mais e melhor.

Pode desejar fazer isto e estar a pensar qual é o primeiro passo. Tente devolver alegremente o dízimo fiel e ofertas! Como Deus disse em Malaquias 3:10, “‘Provai-me nisto,’ diz o Senhor dos Exércitos, ‘se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida.’”

[1] Comentário Bíblico, vol. 7, p. 828.

[2] Ellen G. White, Conselhos sobre Mordomia, p. 21.

Tony Reyes

Tony Reyes

Tony Reyes trabalha há 11 anos com membros da igreja e administradores em diversas áreas da mordomia. Serve atualmente como diretor de Mordomia na Conferência de Potomac.