By Makhup Nyama

“Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma” (3 João 2).

Deus deseja que sejamos prósperos; Ele nunca quis que fôssemos pobres. Quando criou o mundo, Ele tomou os primeiros cinco dias para fazer tudo o que o homem e a mulher precisariam antes de criá-los. Adão não tinha falta de nada. Tudo o que ele precisava estava ao seu alcance. A prosperidade de Deus é holística, prosperidade em todos os aspetos da vida. Todavia, esta prosperidade é acompanhada de condições muito claras. Josué foi instruído:

“Tão somente sê forte e muito corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas bem-sucedido por onde quer que andares. Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido” (Jos. 1:7, 8).

Se Deus deseja que sejamos prósperos e bem-sucedidos, porquê que temos dificuldade em administrar as nossas finanças? Devemos examinar-nos a nós próprios, especialmente o nosso relacionamento com Deus. Isto conduz-nos ao aspeto mais importante do Cristianismo: a obediência a Deus. Pode Deus fazer prosperar uma pessoa desobediente, egocêntrica que rebaixa a Sua lei, as Suas instruções e a Sua vontade? Irá você abençoar o seu próprio filho ou filha que lhe desobedeça, desrespeite e desafie a sua autoridade? Tomemos atenção a este fato:

“Antes, te lembrarás do Senhor, teu Deus, porque é Ele o que te dará força para adquirires riquezas” (Deut. 8:18).

Deus deu-nos instruções claras com relação às questões da vida, até mesmo questões financeiras. Lamentavelmente, temos tendência a nos desviarmos da Sua vontade e fazermos aquilo que pensamos ser correto. Vejamos algumas coisas que fazem com que falhemos no gerenciamento das nossas finanças:

  1. Endividamento

“O que toma emprestado é servo [escravo] do que empresta” (Prov. 22:7). O endividamento é uma tragédia autoinfligida. É fácil entrar nesta situação, mas muito difícil sair. A pessoa prende-se voluntariamente. Jesus veio para nos dar vida em abundância e ainda assim nos subjugamos às dívidas. Ellen G. White adverte-nos a evitarmos as dívidas como evitamos a varíola (ver O Lar Adventista, p. 393). Hoje, ela poderia dizer “coronavírus” em vez de “varíola.” Ela escreveu ainda, “Deveis considerar que uma pessoa não deve dirigir seus negócios de molde a incorrer em dívida. . . . Quando alguém se envolve com dívidas, caiu na rede que Satanás prepara para as almas” (ibid., p. 392). Alguns alegam que as dívidas são inevitáveis e que se tornaram parte da vida normal. A Bíblia adverte-nos claramente contra isto. As Escrituras, tais como Deuteronômio 15:1, dizem-nos que aqueles que estavam endividados eram perdoados depois de sete anos, quando as suas dívidas eram remidas. Esta é uma orientação para as pessoas hoje que lutam com dívidas. A sua instituição financeira não irá perdoar a sua dívida em sete anos, mas você deverá ter intenção de pagar as suas dívidas no prazo de sete anos. Isto inclui a hipoteca da casa. Porque não tenta pagar a sua hipoteca em menos tempo? Uma hipoteca de 20 anos significa comprar a sua casa duas vezes.

Também devemos perguntar-nos a nós próprios se deveríamos contrair dívidas, em meio às condições econômicas mundiais de insegurança? Lemos mais sobre pessoas que perdem os seus empregos do que novos empregos a serem criados. Quantos jovens, incluindo alguns licenciados, passam avida nas ruas sem empregos?

As estatísticas chocantes na África do Sul revelam que 75 porcento da renda familiar é usada para o pagamento de dívidas. Este pode não ser o caso em seu país; todavia, pode não estar muito longe da sua realidade. Os casos de falência estão a aumentar como resultado do endividamento. As casas e veículos de muitos Cristãos são retomados e levados a leilão. As dívidas levam à falência e, como tal, não deve ser o estilo de vida de pessoas tementes a Deus. O endividamento é tão prejudicial que algumas pessoas que não conseguem sair dessa situação põem termo à sua própria vida. As dívidas destroem os relacionamentos saudáveis e afetam o desempenho no trabalho. Se a sua situação de endividamento estiver difícil, como é que pode ser fiel em seus dízimos e ofertas?  

  1. Falta de um orçamento

Você tem um orçamento pessoal ou familiar? Sabe onde gastou 75 porcento do seu salário 15 dias depois de recebê-lo? A falta de um orçamento é um dos problemas principais do nosso gerenciamento financeiro. Isto promove os gastos impulsivos e descontrolados, levando ao fracasso das finanças pessoais. O orçamento incute disciplina na administração das finanças; garante a concretização dos objetivos com relação às despesas. Os que não têm orçamento não sabem onde gastam o seu salário dez dias depois de o terem recebido. Eis o que Deus diz sobre o orçamento:

“Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele” (Lucas 14:28, 29).

Sentar e calcular o custo não é nada mais do que preparar um orçamento. O canal de televisão sul-africano eNCA reportou a declaração seguinte de uma instituição financeira: “Aproximadamente 56% de Consumidores de Rendimento Médio na África do Sul gastam todo o seu Salário Mensal em 5 dias ou menos.” Isto é imprudência; passam o resto do mês sem dinheiro. É um fracasso na administração daquilo que Deus nos concedeu como mordomos.

  1. Amor ao Mundo e ao Dinheiro

São os Cristão diferentes dos descrentes? Comportamo-nos como a geração escolhida, separada para ser santa? Ellen G. White escreveu o seguinte:

“Os Cristãos procuram construir como constroem os do mundo, vestir-se como se vestem os do mundo—imitar os costumes e práticas daqueles que adoram apenas o deus deste mundo” (Comentários de Ellen G. White, Comentário Bíblico, vol. 2, p. 1013).

É lamentável que os Cristãos sintam a pressão de competir, levando-os a contraírem dívidas, procurarem sistemas ilegais de enriquecimento rápido e, por vezes até suborno, tal como sucede entre os descrentes. O apóstolo Paulo advertiu:

“Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviam da fé e a si mesmos se atormentam com muitas dores” (1 Tim. 6:10).

Alguns Cristãos também têm muitos cartões de crédito e quando o orçamento é limitado, usam um cartão de crédito para pagar outro. Estas são ciladas do endividamento. Muitos falham no pagamento das suas dívidas e procuram agiotas condescendentes que oferecem empréstimos a taxas de juro exorbitantes. Ao fazê-lo, enterram-se ainda mais em dívidas, tal como muitos não cristãos.

Outro fato importante de notar é que comprar alimentos com o cartão de crédito e não pagar totalmente a conta do cartão na data devida faz com que os mantimentos sejam muito caros. Os juros cobrados no cartão de crédito irão fazer com que o pão e o leite seja mais caro do que pensa.

Em conclusão, a menos que obedeçamos aos princípios dAquele que nos concedeu tudo o que temos, a menos que sejamos obedientes às Suas instruções e à Sua lei, como poderemos administrar aquilo que Ele nos emprestou? Deus ainda é dono de todas as coisas; Ele nunca perdeu nada do que criou. Ele concedeu a Adão e aos seus descendentes o privilégio de cuidarem da Sua criação, tendo igualmente dado as instruções de como fazê-lo. Sejam obedientes e Ele conceder-vos-á contentamento, mesmo em meio aos vossos desafios.

 

 

Makhup Nyama

Makhup Nyama é membro da Igreja Central Adventista do Sétimo Dia de Dube, no Soweto, África do Sul. Ele e sua esposa, Tshidi, apresentam seminários sobre gerenciamento de finanças pessoais aos membros da igreja e outros há mais de 20 anos. Ele é autor do livro The Core of Stewardship (A Essência da Mordomia). Makhup é administrador de empresas de investimentos em negócios locais e multinacionais.