By DELBERT PEARMAN

AIgreja Adventista do Sétimo Dia aceitou a comissão evangélica dada por Jesus Cristo de levar o evangelho a “todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7:9); e todos os que se tornam membros, automaticamente, se tornam missionários no cumprimento dessa ordem. Portanto, a maior força missionária que a igreja tem é a de leigos, que trabalham pela salvação de almas, em qualquer posição que ocupem.

Engajar-se na atividade missionária em seu próprio país ou no estrangeiro tem um propósito triplo. Em primeiro lugar, cumpre a ordem de Jesus em Marcos 16:15: “Indo pelo mundo inteiro proclamai o Evangelho a toda criatura” (KJA). Deus morreu para reconciliar o mundo consigo; portanto, por nosso intermédio, Ele deseja prover a todos a oportunidade de experimentarem Sua graça salvadora. Em segundo lugar, ela cumpre o pedido de Cristo em João 17:11, 21: “para que sejam um, assim como somos um” (v. 11, KJA). O intercâmbio de obreiros e os recursos contribuem para a unidade da igreja ao redor do mundo. Finalmente, cumprem a promessa de Cristo em Atos 1:8 de que “recebereis poder quando o Espírito Santo descer sobre vós” (KJA). Nesse contexto, o propósito do Espírito Santo é dar poder para o testemunho. Sem o engajamento na missão, a igreja e seus membros não terão poder espiritual.

A ordem para “ir” dá propósito à igreja. O pedido para que sejamos “um” nos dá um precedente e a promessa de que o Espírito Santo dota a igreja com poder.

Iniciativa da Associação Geral de Envio de Missionários Internacionais

O ano de 2018 marcou os 144 anos desde que a Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia (AG) enviou John Nevins Andrews como seu primeiro missionário internacional. Hoje, o componente de envio de missionários internacionais da AG avançou para uma de suas maiores iniciativas. A AG estabeleceu vários programas missionários a fim de acomodar as necessidades por missionários em regiões do mundo onde suas habilidades e capacidades são necessárias. Uma dessas iniciativas missionárias é o programa do Serviço Voluntário Adventista (SVA), através do qual os membros leigos podem doar uma porção de seu tempo, entre dois meses a dois anos de serviço. Nesse programa, o indivíduo mantém seu status de membro leigo, mas recebe hospedagem, seguro e auxílio de subsistência da organização anfitriã durante o período em que permanecer servindo. Eles servem em uma variedade de funções, mas na grande maioria como professores em seu país e no exterior.

Outra iniciativa missionária é o programa da Missão Global (MG), pelo qual os membros leigos escolhem pela associação/missão local se engajar nas atividades de plantio de igrejas entre grupos de pessoas onde a igreja não está bem estabelecida nesse território. Dentre as iniciativas de MG está o foco no estabelecimento de centros de influência urbanos, o programa de estudantes valdenses, onde os estudantes se matriculam em universidades públicas a fim de alcançar seus colegas e professores com o evangelho. Há também o programa de Tentmakers (fabricantes de tendas), no qual especialistas ou profissionais trabalham em um local onde há poucos adventistas e estabelecem um grupo de culto. O apoio financeiro para o programa pioneiro de MG é compartilhado entre a AG, divisão, união e missão locais. O programa principal de envio de missionários da AG é o programa de Serviço de Obreiro Interdivisão (ISE, sigla em inglês). Nesse programa, o missionário é empregado de tempo integral da organização e recebe salário, auxílios e benefícios de jubilação. Eles vêm “de todas as partes e vão para toda parte”, visto que vêm de 75 países e atuam em 108 países. Hoje, há aproximadamente 3.149 missionários patrocinados pela AG que se encontram em uma das três categorias acima mencionadas, além de outros 1.769 que são enviados pelas divisões e uniões. Somando-se a isso, há inúmeros grupos missionários que são enviados pelas igrejas locais, escolas e agências missionárias de sustento próprio, cada um fazendo sua parte para preparar o mundo para o retorno iminente de Cristo.

Finanças e Missão

A fim de prover apoio adequado à família missionária, a Igreja Adventista avalia três componentes para determinar sua compensação: (1) o custo local e o padrão de vida onde será exercida a atribuição; (2) o custo de vida no país de origem e a necessidade de prover as despesas contínuas da casa; e (3) provisão para algumas economias no país de origem a fim de ajudar no restabelecimento quando do término do serviço missionário. Em acréscimo a esses três componentes, a AG provê outros auxílios para apoiar a família missionária, tais como viagem ao local de trabalho, frete e despesas de equipamentos, auxílio educacional para os dependentes, educação continuada para licença profissional, visitas anuais à família imediata no país de origem, assistência médica, estudo da língua. O fato de trabalhar com diferentes moedas, inflação/deflação e risco de taxa de câmbio, planos de jubilação e considerações a respeito de imposto sobre a folha de pagamento complicam o processo para o sustento de nossos missionários no campo, mas a igreja considera o processo como sendo necessário para o cumprimento da ordem evangélica no mundo.

O regulamento de remuneração de obreiro do serviço interdivisão é formulado sob a premissa de que “Necessitam-se na causa de Deus obreiros que façam um concerto com Ele com sacrifício, que trabalhem por amor às almas e não pelo salário que recebam” (Ellen G. White, Conselhos sobre Saúde, p. 302).

A AG não seria capaz de operar um programa eficiente de envio de missionários se não fosse pela generosidade de nossos membros. O apoio para as famílias de ISE, servindo ao redor do mundo, é possível pela destinação de 16,5% do Dízimo e de Ofertas Missionárias, sem restrição, que chegam à AG através da igreja local e de doações específicas. Embora apenas aproximadamente 12% do Dízimo mundial são encaminhados para a AG, salvo pela Divisão Norte-Americana que envia 6%, os 100% dos Fundos da Missão Mundial e Escola Sabatina são enviados para a AG, o que possibilita à igreja mundial operar um programa missionário vibrante que abrange o globo.

(O artigo “Ofertas Missionárias: Perguntas e Respostas” explica como os territórios que estão no Plano de Oferta Combinada participam dos Fundos da Missão Mundial e Escola Sabatina.) Dessa forma, a obra se expande proporcionalmente e podemos louvar a Deus pelos resultados.

Necessidade de Intensificar a Atividade Missionária

Embora haja muito pelo que nos regozijarmos pelos 1,27 milhão de novos membros se unindo à igreja remanescente pelo batismo, no ano passado, e uma nova igreja sendo organizada a cada três horas e quarenta minutos, ainda somos desafiados com a perda de 403.466 membros, quer por apostasia ou desaparecimento no ano passado. Há ainda um remanescente de 21 países que são oficialmente fechados à presença adventista. Há também grupos majoritários de pessoas nos países onde há presença oficial adventista que ainda não foram alcançados. Dos 1,27 milhão de novos membros, apenas uma pequena fração é oriunda de religiões mundiais não cristãs. Isso é um lembrete constante de que não podemos descansar; antes, a intensidade de nossa missão deve aumentar ao nos aproximarmos do fim dos tempos.

Como mordomos dos recursos do Senhor, que possamos fazer nossa parte individual e coletiva para trazermos todos os dízimos e ofertas à “casa do tesouro” (Ml 3:10) a fim de que haja recursos suficientes para que os “que pregam o evangelho, que vivam do evangelho” (1Co 9:14). 8

DELBERT PEARMAN

DELBERT PEARMAN

Pastor Delbert Pearman, ex-tesoureiro associado da AG e diretor do IPRS (International Personnel Resources Services). Recentemente ele aceitou um chamado para servir como presidente da Missão do Sri Lanka.