By Philippe Aurouze

Paulo perseguia suas metas. Depois de seu encontro com Cristo, ele é conduzido a Damasco e sua vida dá uma reviravolta. Lemos a narrativa de sua experiência de conversão em três ocasiões no livro de Atos, duas das quais são o testemunho do apóstolo (At 9:3; 22:6). Diante de Agripa, ele descreve sua nova vida, sua obediência à ordem de Jesus: “Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (At 26:16-18). Ao pedir para ser julgado diretamente por César (At 25:11), Paulo pode ir à capital do império. Seus planos são concretizar seu objetivo de evangelizar a Espanha, como menciona em sua carta à igreja de Roma (Rm 15:28-32). Infelizmente, conhecemos o final da história. A prisão de Paulo, seu cativeiro e sua condenação destruíram seus planos. Porém, é de sua cela que ele escreve estas linhas maravilhosas: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Fp 4:4).

Mantido cativo, condenado e quase morto, o apóstolo anima a todos e a cada um para se alegrarem. Esse é um método de autopersuasão ou espírito de satisfação em cada circunstância? Seu testemunho não deixa dúvida: “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:11-13).

Confiar em Deus o tempo todo foi o que não apenas o apóstolo, mas também os israelitas aprenderam durante sua peregrinação pelo deserto. De fato, depois de sair do Egito, o povo está no deserto. Esquecendo-se do livramento e da liberdade pela mão divina, reclamam de sede e de fome: “Quem nos dera tivéssemos morrido pela mão do SENHOR, na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão a fartar! Pois nos trouxestes a este deserto, para matardes de fome toda esta multidão” (Êx 16:3). Uma vez mais a bondade, a graça e o amor de Deus se revelam. Não apenas envia carne além do que eles esperavam (Êx 16:22), mas também envia pão do Céu, chamado maná (Êx 16:15).

Cuidadosamente, devemos considerar a experiência dos israelitas com o maná. Primeiro, é necessário avaliar as necessidades de cada um: “Colhei disso cada um segundo o que pode comer” (Êx 16:16). Ainda é requerido compartilhar. Não muito, nem muito pouco, mas a quantidade justa e, em Êxodo 16:18, vemos o resultado. Segundo, o querer acumular por diversos motivos, mas principalmente pelo medo de querer, pelo medo do amanhã, se resume em desconfiança em Deus. O maná estragou durante a noite, exceto o que era recolhido para o sábado! (Êx 16:20). Em terceiro lugar, a despeito do milagre renovado, o espírito de cansaço e de amargura domina o povo. Agora a raiva entre eles tinha um forte desejo. Novamente o povo de Israel chorou e disse: “Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná” (Nm 11:4-6). Finalmente, comeram carne: “até vos sair pelos narizes, até que vos enfastieis dela” (Nm 11:20).

Mas, e quanto a nós, e quanto a mim? Que estado de ânimo tenho desenvolvido diante dos acontecimentos da vida, quer dos problemas ou das bênçãos? Um espírito de satisfação e de progresso, ou de egoísmo e de egocentrismo?

Ellen White escreve: “Ao demonstrar o ornamento de um espírito manso e quieto, noventa e nove por cento dos problemas que tão terrivelmente amargam a vida seriam evitados” (Testemunhos para a Igreja, v. 4, p. 348). Nosso Deus deseja que cada um desenvolva um espírito de satisfação, de gratidão, de progresso a fim de considerar a vida de forma diferente. Esse é o Ministério de Mordomia total. Ao colocar Deus em primeiro lugar, ou seja, no centro de nossa vida, esta mudará.

Nosso Deus cuida hoje de nós assim como cuidou do povo de Israel e do apóstolo Paulo. Jesus afirmou isso a Seus discípulos durante o Sermão da Montanha (Mt 6:25-34). Temos que desenvolver uma verdadeira confiança nEle. Isso significa mudar nossa perspectiva na vida quotidiana, no que Deus nos provê a cada momento. Nem muito, nem pouco. Ainda, o sábio nos diz: “Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus” (Pv 30:7-9).

Ter espírito de satisfação significa se regozijar no Senhor o tempo todo, em cada momento. Ter espírito de satisfação significa estar à altura de suas necessidades para satisfazê-las, mas também compartilhar com os outros. Ter espírito de satisfação significa escolher a vida acima da morte (ver Dt 30:19). Ter espírito de satisfação significa: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2).

Assim sendo, podemos prosperar em todos os aspectos, como o apóstolo João desejou a seu amigo (ver 3Jo 1:2) e receber vida em abundância (Jo 10:10).

 

Philippe Aurouze

Philippe Aurouze

Philippe Aurouze é tesoureiro e diretor do Ministério de Mordomia e Ministério de Necessidades Especiais da União Franco-Belga.